sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Igreja da Misericórdia de Évora

Igreja da Misericórdia
Colocado em: História»Património Por Editor Uplasma a 8 de Novembro de 2010
Fotografia: Rafael Flores

Tipologia: Igreja
Freguesia: Sé e São Pedro
Ano de Classificação: 1983
Classificação: Imóvel de Interesse Público

A Igreja da Misericórdia de Évora é uma edificação de meados do século XVI, de nobre perfil clássico, cuja origem remonta a 1554, com traça que se atribui ao arquitecto Manuel Pires, mestre das obras do Cardeal D. Henrique e Arcebispo de Évora. A sua feição maneirista, de um classicismo sóbrio, mantém-se no essencial incólume, salvo a frontaria, reconstruída em 1775 por mãos do pedreiro de Vila Viçosa Gregório das Neves.

A fachada sul testemunha a campanha maneirista, patente no friso decorado de tríglifos e modilhões e enquadrado por fortes contrafortes. O portal, de sugestão rococó, foi sinuosamente talhado em mármore com frontão interrompido e brasão de armas. Ainda na fachada principal destaque para a janela do coro, de secção rectangular, harmoniosamente rasgada sobre o centro do frontão. O arco abatido do pórtico é ladeado por duas pilastras, com enrolamento vegetalista, finamente lavrado e que se estende até ao frontão. O cuidado no enriquecimento decorativo da igreja pode ser observado no portal, de fino lavor, profusamente talhado em secções almofadadas, pregueadas de bronze.

Fotografia: Rafael Flores

É no interior do espaço sagrado que a linguagem decorativa barroca se concretiza em pleno, através do exuberante diálogo de luz e cor entre a talha dourada, a pintura de cavalete e a rica decoração azulejar. A igreja, com nave única, de forma rectangular e abobadamento de berço com caixotões, possui cinco tramos, subtilmente marcados pelos arcos torais que se desenham transversalmente à abóbada. Ao nível do primeiro registo, a nave encontra-se coberta de uma belíssima decoração azulejar de 1715, da.autoria da oficina lisboeta de António de Oliveira Bernardes. Esta série de azulejos historiados em esmalte branco com decoração a azul, é composto por sete paineis representando as Obras de Misericórdia e afirma-se como um dos mais importantes conjuntos azulejares produzidos pela oficina daquele mestre, tendo a sua colocação sido da responsabilidade do empreiteiro Manuel Borges, encontrando-se já terminado em 1716. Ao nível do segundo registo, a nave é percorrida por um grupo de sete telas barrocas da autoria do pintor eborense Francisco Xavier de Castro, artista de secundário merecimento. O altar-mor tem um retábulo do Estilo Nacional, de oficina eborense do início do século XVIII, de notável de lavor, que se prolonga aos colaterais. Ao centro, sobre uma duas colunas pseudo-salomónicas assentes em mísulas são sustentadas por atlantes.

Igreja da Misericórdia de Algodres

A Igreja da Misericórdia de Algodres é um templo barroco edificado em princípios do século XVIII, com as pedras provenientes do arruinado castelo daquela antiga vila, actualmente uma freguesia do concelho de Fornos de Algodres.
A Santa Casa da Misericórdia de Algodres foi fundada em 1621, por várias individualidades entre as quais o vigário de Algodres e o abade de Infias, sendo instituida canonicamente em 1622. No entanto, o cadastro da população do Reino de 1758, refere que terá sido fundada em 1615.
O templo é composto de uma só nave, tendo do lado norte as dependências da Santa Casa. No lado sul, na fachada sobressai o portal de verga recta encimado por volutas e uma concha ou vieira em cantaria e rematada por cornija encimada por uma cruz trilobada ladeada por coruchéus; ostenta ainda um campanário de duas ventanas em arco de volta completa rematado por pináculo.
No interior, para além dos altares em talha dourada, sobressaem imagens de Cristo em escala humana: Senhor da Cana; Senhor dos Passos e Senhor da Cama; existe também um tríptico do século XVII e quadros da via sacra, colocados em nichos de pedra nas ruas da “vila”, durante as celebrações da semana santa.

Igreja da Misericórdia deÁlvaro

A aldeia de Álvaro estende-se lânguida e serpenteante ao longo do viso de uma encosta sobranceira ao Rio Zêzere, acomodada na albufeira do Cabril. Avistada do alto da magistral paisagem que a circunda, parece uma alva muralha que guarda a passagem do rio. É uma das “aldeias brancas” da Rede das Aldeias do Xisto, ou seja, a sua base de construção é o xisto mas a sua evolução histórica incorporou o reboco. O que, no caso desta Aldeia, indicia que teve um passado de grande importância na região e também de alguma riqueza económica.

O seu rico património religioso atesta que esta foi uma povoação importante para as ordens religiosas. Uma ou outra casa tem a cruz da Ordem de Malta que testemunha a sua posse. A Igreja da Misericórdia exige uma visita, mas para conhecer bem esta Aldeia há que fazer o circuito das Capelas. Nelas encontrará manifestações importantíssimas de arte sacra, desde pinturas a artefactos singulares, como por exemplo uma imagem do Senhor dos Passos, um Sacrário Renascentista ou ainda um Cristo morto com as Santas Mulheres e S. João Evangelista. Em termos de lazer pode banhar-se na piscina flutuante da albufeira do Cabril, ou simplesmente deixar-se ficar no miradouro junto à Igreja Matriz inspirando a paisagem ondulante de montes e serras que se estende até à Estrela. Se quiser informações mais detalhadas pode obtê-las no Posto de Informação Turística onde em breve funcionará também a Loja das Aldeias do Xisto. Lá, certamente o aconselharão a provar o cabrito estonado, uma das especialidades gastronómicas do Concelho de Oleiros.

Igreja da Misericórdia de Mangualde

Igreja da Misericórdia de Mangualde

A construção deste belíssimo imóvel sucedeu entre 1720 e 1764, segundo risco de Gaspar Ferreira, arquitecto de Coimbra.

Igreja e Sacristia, Casa de Despacho, Torre, Casas de Capelão e arrumações de rés-do-chão, constituem um todo harmonioso onde ressalta a originalidade de uma varandaaberta sobre um pátio dando ares de residência fidalga a tal conjunto.


O interior da igreja é de uma extraordinária beleza. A capela-mor possui o mais artístico retábulo joanino da diocese de Viseu, o tecto mostra 15 formosos painéis pintados em Lisboa no séc. XVIII e os azulejos vieram de Coimbra em 1724 (capela-mor) e 1746 (nave) representando símbolos marianos e diversas cenas como as Bodas de Caná, S. Martinho, Multiplicação dos Pães e Queda de Maná.

A igreja foi considerada Imóvel de Interesse Público, através do Dec. 129/77, Diário da República 226, de 29 de Setembro.

Igreja da Misericórdia de Torres Vedras

Foi construída entre 1681 e 1752, sendo a sua porta principal encimada por aletas, que envolvem as armas reais. Recentemente sofreu obras de restauro.

Igreja de uma só nave, apresenta à entrada o coro alto sustentado por colunas de fustes estriados, assentes em altos socos.

As paredes são decoradas com telas e silhares de azulejos do século XVII e no tecto de abobada de berço, pinturas muito escurecidas com as armas de D. João V e o Brasão com a Comenda da Ordem de Cristo.

A capela-mor, decorada com mármores pretos, tem três altares com talha do século XVIII e frontais de couro pintado e lavrado do mesmo século.

No cruzeiro dois grandes painéis de azulejos do século XVII que representam a "Deposição da Cruz" e Nossa Senhora da Misericórdia e uma teia de pau-preto, de colunelos torneados e sustentada por colunas de mármore.

Dispõe de azulejos do século XVII, com motivos profanos.
Na sacristia, realce para a tela Visitação, (Josefa de Óbidos); um arcaz setecentista com pregarias em bronze da época, uma mesa de mármore com pé de balaustre sobre a qual se vê um baldaquino de talha dourada, de estilo "rocaille". O seu tecto, em abobada, é centrado e cantonado com peças em talha de madeira dourada.

Igreja da Misericórdia de Peniche

Esta igreja seiscentista, anexa ao antigo hospital da Santa Casa da Misericórdia de Peniche, encontra-se integrada no casario da antiga vila de Peniche.

De fachada pombalina terminada em frontão triangular, com fogaréus, ostenta no seu interior, de uma só nave, uma rara beleza decorativa, visível nos painéis azulejares, nas pinturas a óleo que decoram as paredes bem como no tecto decorado com caixotões pintados.
Elementos de interesse:

Painéis de azulejos seiscentistas;
Tecto do séc. XVII, com 55 caixotões ilustrando cenas do Novo Testamento, Livro dos Actos e Apocalipse;
Pinturas a óleo, algumas de grande dimensão, com cenas alusivas a acontecimentos evangélicos;
Colecção de pinturas a óleo da autoria de Josefa de Óbidos e Baltazar Gomes Figueira;
Tribuna da irmandade;
Túmulo de D. Luís de Ataíde (3º Conde de Atouguia da Baleia e Vice-Rei da Índia entre 1568 e 1571 e 1577 e 1580);
Retábulo flamengo, da Escola de Bruxelas, do séc. XV, na exposição de Arte Sacra anexa à Igreja da Misericórdia de Peniche.
Imóvel de Interesse Público Largo 5 de Outubro, Cidade de Peniche Freguesia de Nossa Senhora da Conceição

Celebrações Religiosas: Quarta 5ªf de cada mês.


Coordenadas GPS: lat. 39 21 26.9117; long. -9 22 44.5227

quinta-feira, 4 de março de 2010

A Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos

A Igreja da Santa Casa da Misericórdia, um importante marco da História e da Arte

Junto aos antigos Paços do Concelho, num plano inferior ao Largo da Praça, também conhecida pela Praça de Santa Maria, fica situada a Igreja da Santa Casa da Misericórdia, até fins do século XV conhecida por Capela do Espírito Santo.

Este templo é um importante marco da História e da Arte. Com o seu portal, datado de 1596, é a primeira obra do barroco no País, em pleno período renascentista e maneirista, embora o barroco nasça em Itália no fim do século XVI, e só mais de 100 anos depois é que se possa considerar que ele tivesse entrado em Portugal.

Não podendo caracterizar a igreja da Misericórdia de Óbidos como um templo Barroco, explica-nos o Dr. Sérgio Gorjão, que são contudo notáveis três situações específicas, que lançam esta obra na discussão: em primeiro lugar, sendo um imóvel construído durante o século XVI, em pleno evento renascentista e maneirista, a sua estrutura arquitectónica assume já uma linguagem que vem a ser grandemente praticada pelo Barroco, nomeadamente pelo uso de uma única e espaçosa nave.

Em segundo lugar, se numa abordagem superficial poderíamos entender o portal como uma obra tardia do século XVII, considerando que apresenta uma construção formal de frontões curvos e contracurvos, típicos do Barroco, já documentalmente inferimos que esta obra surpreendentemente data de 1596, fazendo com que este seja, no país um dos primeiros prenúncios do Barroco (se não mesmo o primeiro), situação que eventualmente poderá ter a ver com a aula de matemática (e possivelmente do risco) instalada em Óbidos sob vigência de D. Catarina de Áustria (mulher de D. João III).

Nesta “aula”, deveria haver livros com tratados de estética e arquitectura e, como era uma área vanguardista, alguns desses livros deviam fazer referência às grandes obras do seu tempo.

Por último, as características próprias do retábulo (1628-1629), cuja a estrutura se afasta das típicas “arquitecturas serlianas” (ao exemplo do retábulo da igreja de Santa Maria), avançando para uma superfície grande e de forte impacto, representando a Visitação da Virgem a Santa Isabel. Acompanhando esta estrutura, também a composição que a preenche avança já por novos caminhos, afastando-se de um maneirismo que por vezes ainda mal saiu do tardo-gótico, aproximando-se dos padrões internacionais de origem romana.

O arco triunfal e o retábulo da Misericórdia foram pintados, em 1628 por André Reinoso, o mais importante pintor português na viragem para o naturalismo proto-barroco, tradicionalmente identificado com o maneirismo. Já apresenta uma série de valores lumínicos, cromáticos e de leitura anatómica clássica, assumindo uma vanguarda que só colherá frutos cerca de 70 anos mais tarde.

O seu interior é todo revestido de azulejos policromos, estilo “padrão”, do século XVII, e com molduras em quadros, devido ao Provedor, Prior e Doutor, João Tinoco Vieira, com origem em fábricas lisboetas.

Sobre a Igreja da Misericórdia, a Dr.ª Teresa Bettencourt da Câmara explica-nos que, da fundação subsiste ainda a porta que dá passagem para o púlpito. Trata-se de uma abertura moldurada por cantaria calcária composta de cornija de verga recta e limitada superiormente por uma moldura enxadrezada e pilastras a ambos os lados, sendo cada uma destas rematada por um capitel decorado com temas renascentistas. Folhas de acanto são assinalados a meio-relevo, da base do capitel até metade da sua altura, num ritmo ondulado, como se pelo vento fossem agitadas. Do centro das folhas parte uma flor, semelhante a uma açucena, e duas bastas folhas que vão morrer em forma de espiral em cada esquina do capitel formando as volutas. Sobre a flor, uma cornija suporta uma cabeça de anjo, no ábaco de perfil curvo cujas orelhas foram convertidas em asinhas, esquema decorativo que se repete igualmente nas faces livres de cada pilastra.

Nos finais do século XVI o suporte do púlpito ruiu, o que originou a construção de peça que o substituísse. Trata-se de um suporte onde são visíveis as características maneiristas de idênticos trabalhos coevos: a partir da base, desenvolvem-se duas volutas em forma de caracol encimadas pelo entablamento decorado por uma fiada de lacrimais e outra de pequenas gregas. O trabalho, datado de 1596, é da autoria de mestre Álvaro Fernandes, sobre quem não lográmos obter qualquer outra informação.

Dentro da Igreja pode-se observar o túmulo de D. Maria Luísa, condessa da Guerra e camareira da rainha D. Maria Ana de Áustria e casada com D. Gregório Ferreira de Eça, Conde de Cavaleiros, que foi muitos anos provedor da Misericórdia de Óbidos.

A D. Maria Luísa faleceu em 26 de Abril de 1748.

Neste templo, encontra-se ao culto uma imagem antiquíssima e histórica, a que os fiéis de Óbidos, de todas as épocas, têm dedicado profunda veneração, Nossa Senhora da Paz que, consta, foi piedosa oferta da Rainha Santa Isabel (Rainha Santa) à antiga capela do Espírito Santo.

Autor do texto: Carlos Orlando Rodrigues