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quinta-feira, 4 de março de 2010

A Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos

A Igreja da Santa Casa da Misericórdia, um importante marco da História e da Arte

Junto aos antigos Paços do Concelho, num plano inferior ao Largo da Praça, também conhecida pela Praça de Santa Maria, fica situada a Igreja da Santa Casa da Misericórdia, até fins do século XV conhecida por Capela do Espírito Santo.

Este templo é um importante marco da História e da Arte. Com o seu portal, datado de 1596, é a primeira obra do barroco no País, em pleno período renascentista e maneirista, embora o barroco nasça em Itália no fim do século XVI, e só mais de 100 anos depois é que se possa considerar que ele tivesse entrado em Portugal.

Não podendo caracterizar a igreja da Misericórdia de Óbidos como um templo Barroco, explica-nos o Dr. Sérgio Gorjão, que são contudo notáveis três situações específicas, que lançam esta obra na discussão: em primeiro lugar, sendo um imóvel construído durante o século XVI, em pleno evento renascentista e maneirista, a sua estrutura arquitectónica assume já uma linguagem que vem a ser grandemente praticada pelo Barroco, nomeadamente pelo uso de uma única e espaçosa nave.

Em segundo lugar, se numa abordagem superficial poderíamos entender o portal como uma obra tardia do século XVII, considerando que apresenta uma construção formal de frontões curvos e contracurvos, típicos do Barroco, já documentalmente inferimos que esta obra surpreendentemente data de 1596, fazendo com que este seja, no país um dos primeiros prenúncios do Barroco (se não mesmo o primeiro), situação que eventualmente poderá ter a ver com a aula de matemática (e possivelmente do risco) instalada em Óbidos sob vigência de D. Catarina de Áustria (mulher de D. João III).

Nesta “aula”, deveria haver livros com tratados de estética e arquitectura e, como era uma área vanguardista, alguns desses livros deviam fazer referência às grandes obras do seu tempo.

Por último, as características próprias do retábulo (1628-1629), cuja a estrutura se afasta das típicas “arquitecturas serlianas” (ao exemplo do retábulo da igreja de Santa Maria), avançando para uma superfície grande e de forte impacto, representando a Visitação da Virgem a Santa Isabel. Acompanhando esta estrutura, também a composição que a preenche avança já por novos caminhos, afastando-se de um maneirismo que por vezes ainda mal saiu do tardo-gótico, aproximando-se dos padrões internacionais de origem romana.

O arco triunfal e o retábulo da Misericórdia foram pintados, em 1628 por André Reinoso, o mais importante pintor português na viragem para o naturalismo proto-barroco, tradicionalmente identificado com o maneirismo. Já apresenta uma série de valores lumínicos, cromáticos e de leitura anatómica clássica, assumindo uma vanguarda que só colherá frutos cerca de 70 anos mais tarde.

O seu interior é todo revestido de azulejos policromos, estilo “padrão”, do século XVII, e com molduras em quadros, devido ao Provedor, Prior e Doutor, João Tinoco Vieira, com origem em fábricas lisboetas.

Sobre a Igreja da Misericórdia, a Dr.ª Teresa Bettencourt da Câmara explica-nos que, da fundação subsiste ainda a porta que dá passagem para o púlpito. Trata-se de uma abertura moldurada por cantaria calcária composta de cornija de verga recta e limitada superiormente por uma moldura enxadrezada e pilastras a ambos os lados, sendo cada uma destas rematada por um capitel decorado com temas renascentistas. Folhas de acanto são assinalados a meio-relevo, da base do capitel até metade da sua altura, num ritmo ondulado, como se pelo vento fossem agitadas. Do centro das folhas parte uma flor, semelhante a uma açucena, e duas bastas folhas que vão morrer em forma de espiral em cada esquina do capitel formando as volutas. Sobre a flor, uma cornija suporta uma cabeça de anjo, no ábaco de perfil curvo cujas orelhas foram convertidas em asinhas, esquema decorativo que se repete igualmente nas faces livres de cada pilastra.

Nos finais do século XVI o suporte do púlpito ruiu, o que originou a construção de peça que o substituísse. Trata-se de um suporte onde são visíveis as características maneiristas de idênticos trabalhos coevos: a partir da base, desenvolvem-se duas volutas em forma de caracol encimadas pelo entablamento decorado por uma fiada de lacrimais e outra de pequenas gregas. O trabalho, datado de 1596, é da autoria de mestre Álvaro Fernandes, sobre quem não lográmos obter qualquer outra informação.

Dentro da Igreja pode-se observar o túmulo de D. Maria Luísa, condessa da Guerra e camareira da rainha D. Maria Ana de Áustria e casada com D. Gregório Ferreira de Eça, Conde de Cavaleiros, que foi muitos anos provedor da Misericórdia de Óbidos.

A D. Maria Luísa faleceu em 26 de Abril de 1748.

Neste templo, encontra-se ao culto uma imagem antiquíssima e histórica, a que os fiéis de Óbidos, de todas as épocas, têm dedicado profunda veneração, Nossa Senhora da Paz que, consta, foi piedosa oferta da Rainha Santa Isabel (Rainha Santa) à antiga capela do Espírito Santo.

Autor do texto: Carlos Orlando Rodrigues

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Viana do Alentejo

Igreja da Santa Casa da Misericórdia
Obra original do reinado de D. João III, o seu início verificou-se no dia 13 de Junho de 1551. O templo actual oferece características setecentistas e substituiu, decerto, o primitivo por motivos ignorados.
Informações Adicionais
Obra original do reinado de D. João III, o seu início verificou-se no dia 13 de Junho de 1551.
O templo actual oferece características setecentistas e substituiu, decerto, o primitivo por motivos ignorados.
De frontaria cunhada de granito, na linha do oriente, tem portal adintelado, de calcário branco, grupo de janelas e grande luneta do coro, alteada por frontão triangular que termina, ao norte, pelo campanário com sino de bronze fundido, de cruz estrelóide e o cronograma de 1749.
No seu interior, a capela-mor é guarnecida por interessante retábulo barroco de talha dourada (meados do século XVIII).
Emparelhado na rua e correndo para o lado Norte, fica o Hospital, também antigo. O edifício sofreu importantes melhoramentos no tempo de D. Maria II, assinaláveis na fachada por guarnições de esgrafitos florais e grades férreas, fundidas e, no paquife datado de 1864, que envolve o escudo régio, coroado e de mármore branco, que enobrece o corpo do piso principal e é obra setecentista, assim como a portada, no todo semelhante à da Igreja.

Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros

Igreja da Santa Casa da Misericórdia
Largo da Misericórdia, Alhos Vedros
A Igreja da Santa Casa da Misericórdia foi construída em 1587, a deduzir pela leitura da inscrição sobre o portal: «Ioam Amriques Pimentel deu este portal desmola a esta caza sendo Provedor dela o ano que se comesou de fazer na era de 1587».
Embora se desconheça a história da fábrica desta igreja, pensa-se que terão sido os rendimentos da instituição, bem como os donativos e doações de benfeitores, as principais fontes de receita que custearam as obras da sua construção.
A Igreja da Misericórdia reflecte as ideias da época e da comunidade, profundamente marcadas pela perspectiva religiosa, uma vez que o país estava a atravessar uma remodelação nos seus esquemas mentais imposta pelo Concílio de Trento.
A igreja é constituída por nave única coberta por tecto de madeira e as paredes são revestidas a azulejos que datam do início do séc. XVIII. O altar-mor ostenta um retábulo de talha dourada que evidencia características maneiristas tardias (fim do séc. XVII). A Igreja da Misericórdia foi classificada como imóvel de valor concelhio, pelo Decreto Nº. 2 do Diário da República 56, de 6 de Março de 1996.


Fonte: Retrato em Movimento do Concelho da Moita, Câmara Municipal da Moita, 2004

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Igreja da Misericórdia de Chamusca

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A Igreja do Senhor da Misericórdia é a maior e, provavelmente, a mais rica das igrejas da vila da Chamusca. Está situada no seu centro, rodeada por um jardim e emoldurada por várias palmeiras. Datada do século XVII, é um exemplar do estilo chão, estilo arquitectónico marcante da arquitectura maneirista portuguesa desta época.


História
O templo foi mandado edificar em 1619, por D. Rui Gomes da Silva Mendonça e Lacerda, Conde da Chamusca e Senhor de Ulme. As obras, coordenadas pelo Mestre Domingos Marques, começaram a 20 de Abril de 1622, tendo sido concluídas apenas em 1629, com inauguração no dia 1 de Junho desse ano. No entanto, os trabalhos prolongaram-se para além da sua abertura ao culto, tendo sido executados o retábulo do altar-mor e a sua pintura a ouro (em 1631), o seu adorno com um quadro sobre A Visitação de Santa Isabel (em 1636), o revestimento a azulejos da Capela do Senhor dos Passos (em 1643, pelo Mestre Gaspar Gomes), a construção do coro alto (em 1644) e o início da construção da Casa do Despacho e da torre direita (em 1668).

O edifício foi sofrendo várias outras alterações ao longo dos tempos, das quais há a destacar as grandes obras de restauro que comportou logo cem anos após a sua construção, numa altura em que o edifício ameaçava ruína. Este restauro conferiu o actual aspecto à frontaria, tendo a grande janela do coro sido substituída pelas duas janelas agora existentes (em 1722). Para além disso, foram modificados os quatro arcos da capela-mor, que eram até então de alvenaria e que, actualmente, são trabalhados em pedra (igualmente em 1722). Todo este restauro foi pago por um escalabitano, Manuel dos Santos Fortes. Durante este século foram ainda dourados os tronos da capela-mor (em 1702) e o da Capela do Senhor dos Passos (em 1749), foi reconstruído o coro (em 1745), foi colocado o púlpito (início do século) e foi aplicado o revestimento azulejar da nave (na segunda metade do século).

Durante a primeira invasão francesa, foram confiscadas a esta igreja uma lâmpada, seis castiçais, um par de galhetas com o seu prato, um turíbulo e uma naveta com a sua colher.

Devido ao estado deplorável a que havia chegado nos inícios do século XX, a igreja sofreu obras de vulto em 1900 e em 1947, nas quais se procurou restituir-lhe a traça original que havia sido descaracterizada nas várias intervenções anteriores.


Caracterização
Toda a fachada frontal da igreja é branca, possuindo oito janelas, das quais as três centrais se encontram encimadas por frontões. O portal principal é um excelente exemplo da arquitectura portuguesa deste período, sendo encimado por um vão recto com uma imagem de um santo. A igreja é ladeada por duas torres sineiras.

O corpo da igreja é constituído por uma só nave, sendo esta revestida por um silhar de azulejos do século XVIII, e o seu tecto, em abóbada de berço, apresenta pintado o brasão real, com a cruz de Cristo. Sobre a porta principal encontra-se o coro alto, com antepara de balaústres torsos em madeira. Na parede do lado do evangelho encontra-se o púlpito, em balaústre, enquanto que na parede contrária está situada a tribuna dos mesários, balcão longitudinal constituído pelas treze cadeiras de espaldar alto dos irmãos da Misericórdia, igualmente em balaústre e datada do século XVIII. Nas suas costas, fica a Sala do Despacho, onde se encontra o arquivo da Santa Casa da Misericórdia, e que contém um armário, do século XVIII, destinado a albergar a bandeira da Irmandade.

A nave da igreja e a capela-mor encontram-se separadas apenas por cinco degraus de pedra, trazidos de uma outra igreja entretanto desaparecida, e no cimo dos quais está colocada uma grade com balaústres do século XVIII. Na capela-mor, destacam-se quatro arcos de volta inteira, encimados por sanefas em talha rococó. Destes arcos, dois dão acesso à entrada norte, ao coro e à Sala do Despacho, respectivamente, outro à Capela do Senhor dos Passos e, no restante, foi colocado um altar de talha dourada do século XVIII, no qual se encontra colocada a imagem de Nossa Senhora da Soledade. A Capela do Senhor dos Passos é revestida a azulejos policromados do século XVII.

O altar-mor, em trono, para a exposição do Santíssimo, é constituído por talha dourada do século XVIII. É aqui que se encontra o Senhor Jesus da Misericórdia, belíssima imagem de Cristo pregado na cruz, que data de finais do século XVI e é atribuída à Escola Espanhola. Esta imagem foi colocada no trono em 1629, tendo-lhe sido acrescentado em 1704 o resplendor de prata.

Por baixo do altar-mor, encontra-se numa urna envidraçada uma imagem do Senhor Morto, representando Jesus depois de retirado da cruz, tendo ao seu lado Nossa Senhora. Este conjunto, juntamente com as imagens em roca do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora da Soledade, data de 1717 e é atribuído ao escultor francês Claude Laprade. Das outras imagens existentes, há a destacar as de Santo António, de São José (do século XVIII), de São Francisco (em madeira, de 1773) e de Nossa Senhora da Conceição (datada de 1795). Esta duas últimas imagens são provenientes da antiga Igreja dos Terceiros de São Francisco. Para além disso, a igreja contém ainda uma imagem indo-portuguesa da Virgem, em marfim, e um quadro setecentista de Pedro Alexandrino, representando A Visitação de Santa Isabel.


Devoção ao Senhor da Misericórdia
A imagem do Senhor da Misericórdia sai uma vez por ano à rua, na noite de Sexta-Feira Santa, para a Procissão dos Fogaréus, a celebração religiosa mais antiga e mais importante da vila. De resto, a devoção ao Senhor da Misericórdia data já desde a fundação do templo, sendo-lhe mesmo atribuído um milagre, ocorrido a 23 de Outubro de 1807.

Nesse ano, Portugal havia sido invadido pelas tropas francesas de Napoleão, que tinham tomado a Golegã e tentavam atravessar o Tejo para saquear a Chamusca. O povo da vila acorreu ao Senhor da Misericórdia, tendo as suas preces sido ouvidas, pois os soldados foram arrastados por um aumento súbito do caudal do rio. As tropas francesas desistiram então dos seus intentos, mas, em jeito de vingança, decidiram bombardear a vila. No entanto, as balas dos seus canhões não causaram vítimas nem quaisquer estragos materiais, com excepção apenas do pelourinho da vila, que foi destruído.

A Igreja da Misericórdia de Caminha

Caminha, praça de armas e velho burgo fronteiriço, porto convergente de vias fluviais e terrestres, de todos aqueles que, quer em missões comerciais, quer como peregrinos dirigindo-se a Santiago de Compostela, aqui passavam, e vivia um movimento intenso de viajantes que, durante alguns dias aqui permaneciam, descansando antes de retomar a viagem.

Em 1499 fundava-se a Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia, cuja ermida se situava fora de muros há já muitos anos, e no local onde mais tarde se viria a fazer o convento de Santa Clara.

Com a aparecimento das Misericórdias, foi fundada em Caminha, em 1516 a Santa Casa da Misericórdia, tendo neste ano o compromisso, idêntico ao da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mais velho que a nossa 18 anos. Este compromisso viria a ser confirmado por D. João III, no ano de 1537.

A Igreja da Misericórdia viria a construir-se na sequência de um pedido dos Caminhenses, com os seguintes privilégios: que a Igreja que edificassem da invocação da virgem Nossa Senhora da Misericórdia e que tal igreja fosse isenta de toda a jurisdição e somente reconhecesse sujeição à Sé apostólica e à Igreja Lateranense e que na tal igreja pudessem ter campanários, sinos, cemitério para enterrar os mortos, ter altares, pia de baptismo, com casas, oficinas e mais coisas necessárias à dita igreja e aos irmãos da dita casa e aos que todos nela fossem sucedendo.

Foi atendida a petição dos Caminhenses a 5 de Dezembro de 1546. De imediato se começou a construir a Igreja, que ficou concluída em 1551. A primeira missa foi dita numa quinta-feira, dia 21 de Maio de mesmo.

Capela da Misericórdia de Álvaro

A capela da Misericórdia de Álvaro foi fundada na última década do século XVI, segundo atesta a inscrição colocada na fachada do templo: "Esta Misericórdia foi fundada por Catarina Garcia viúva de Manuel Gomes Curado por seus filhos o Capitão Bartolomeu Gomes Curado e Ana Curado David no ano de 1597". De planta longitudinal, composta por nave e capela-mor, com sacristia e capela lateral adossadas a norte e a sul, respectivamente, a Misericórdia de Álvaro corresponde ao modelo estruturado para a "igreja-tipo" de Misericórdia, um templo de nave única, sem capela-mor, formando um bloco homogéneo em caixa lisa "onde sopra o espírito do humanismo cristão erudito e severo" decorrente das normas artísticas decretadas pelo Concílio de Trento (MOREIRA, Rafael, 2000, p. 151). O edifício sofreu sucessivas campanhas de restauro no interior no século XVIII, tendo sido nesta época que foi colocado o retábulo da capela-mor.
A fachada principal possui ao centro portal de moldura rectangular simples, rematado por frontão triangular interrompido por nicho com a imagem da Virgem e ladeado pela lápide com inscrição que atesta a fundação do templo. No segundo registo, sobre o portal, foi aberto um janelão com moldura em arco abatido e gradeamento. A fachada é rematada em empena, encimada por cruz. A fachada lateral do lado do Evangelho possui portal e postigo, estando adossada à parede uma alminha pintada com a figuração de Nossa Senhora das Dores. A sacristia possui dois registos, o primeiro com duas portas, o segundo com duas janelas, todas de moldura rectangular. Sobre a sacristia foi colocada dupla sineira, em L, rematada por cruz e dois pináculos. Na fachada lateral do lado da Epístola, onde se situa a capela lateral, foram abertos dois postigos de moldura rectangular e foi colocada sobre a capela uma janela gradeada de moldura em arco abatido semelhante à da fachada principal. Era nesta fachada lateral que se encontrava originalmente a lápide colocada na fachada nos anos 80 do século XX.
Interiormente, o templo é coberto por tecto em falsa abóbada de berço abatido, de madeira pintada, com travejamento. Do lado do Evangelho possui púlpito de madeira com balaustrada. O arco triunfal possui lintel em arco pleno, com impostas salientes. Do lado da Epístola, um arco pleno de impostas salientes, semelhante ao arco triunfal, abre para a capela lateral, dedicada ao Senhor dos Passos, com cobertura em caixotões de madeira e retábulo de madeira policromada. No piso, foi colocada a lápide tumular do Capitão José Rodrigues.
A capela-mor tem ao centro retábulo de talha dourada com esculturas da Virgem e de Santa Isabel. Duas estátuas, em tamanho natural, representando Nicodemos e José de Aritmeia, foram colocadas em nichos nas paredes laterais. São da autoria de Tomé Velho, discípulo de João de Ruão (SERRÃO, Vítor, 2001, p. 150). O tecto é de caixotões de madeira, pintados com as representações de 21 santos do hagiológio.
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 27 de Abril de 2005

Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia - Vila do Porto

História
Erguida anteriormente a 1536, é considerada como o primeiro "compromisso" que se estabeleceu no arquipélago. Os seus primeiros estatutos, entretanto, datam de 1609. Integrava as dependências da Santa Casa de Misericórdia.

Desta igreja sai, anualmente, desde 1707, a tradicional procissão do Senhor dos Passos.

O conjunto encontra-se protegido pelo Decreto Legislativo Regional nº 22/92/A, de 21 de Outubro de 1992.

Características
O conjunto, em alvenaria de pedra rebocada e caiada, é constituído por três corpos dispostos ao longo da rua, correspondendo o central à nave, o lateral esquerdo, recuado, à capela-mor, e o lateral direito, também recuado, com dois pavimentos, a um anexo. À esquerda do corpo da capela-mor existe um muro, rasgado por uma porta rematada em arco abatido, que delimita um recinto exterior. Sobre o arco encontra-se uma inscrição "1877 / ST CASA / DA MISA".

A fachada do corpo correspondente à nave da igreja encontra-se dividida em três secções separadas por pilastras. A secção central, de maiores dimensões, é rasgada pelo portal com verga curva encimada por uma cornija terminando com secções laterais rectas encimadas por pináculos embebidos na parede, e uma janela elevada em cada lado. Sobre o portal observa-se uma concha em relevo separada da cornija do portal por duas volutas. A secção esquerda apresenta uma janela descentrada, à mesma altura das janelas da secção central. A secção direita apresenta uma janela, em posição simétrica à da secção esquerda e, no espaço livre à direita desta, assumindo dois pavimentos, tem uma porta simples no inferior e, no superior, correspondendo ao coro, uma janela com um pequeno avental em cujo centro se encontra uma cruz em relevo.

O corpo da capela-mor tem duas janelas, com as mesmas dimensões, implantadas à mesma altura das do corpo da nave.

O corpo do anexo, dividido em dois pavimentos, ao nível do superior apresenta uma janela de sacada com consola muito saliente, em pedra, e guarda de madeira.

As coberturas são de duas águas, em telha de meia-cana tradicional, rematadas por beiral duplo sobre cornija (o corpo recuado, à direita da igreja, tem um telhado com mais águas).

O interior apresenta nave única, de planta rectangular, separada da capela-mor, também de planta rectangular, por um arco triunfal em pedra. De ambos os lados do arco, cortando os ângulos da nave, erguem-se altares com retábulos. Na parede do lado da epístola, encontra-se um púlpito com guarda de balaústres e guarda-voz em madeira.

A igreja abriga um retábulo de Santa Isabel, e uma imagem do Senhor dos Passos, considerada como uma das mais belas dos Açores.


Bibliografia
CARVALHO, Manuel Chaves. Igrejas e Ermidas de Santa Maria, em Verso. Vila do Porto (Açores): Câmara Municipal de Vila do Porto, 2001. 84p. fotos.
FIGUEIREDO, Jaime de. Ilha de Gonçalo Velho: da descoberta até ao Aeroporto (2a. ed.). Vila do Porto (Açores): Câmara Municipal de Vila do Porto, 1990. 160p. mapas, fotos, estatísticas.
FIGUEIREDO, Nélia Maria Coutinho. As Ilhas do Infante: a Ilha de Santa Maria. Terceira (Açores): Secretaria Regional da Educação e Cultura/Direcção Regional da Educação, 1996. 60p. fotos. ISBN 972-836-00-0
MONTEREY, Guido de. Santa Maria e São Miguel (Açores): as duas ilhas do oriente. Porto: Ed. do Autor, 1981. 352p. fotos.

Wikipédia

Igreja da Misericórdia de Arouca

A referência mais antiga ao povoado de Arouca, ou Aravoca, data do século VI. No entanto, a consolidação e desenvolvimento da sua malha urbana durante a Idade Média e Idade Moderna estão intimamente ligados ao mosteiro cisterciense de Santa Maria, situado no centro da povoação e fundado no século X.
O crescimento do cenóbio foi determinante para o desenvolvimento da vila, bem como de toda a região do vale de Arouca, e em 1513 D. Manuel concedeu carta foralenga à povoação, que assim se tornava sede de concelho.
Cerca de cem anos mais tarde, a povoação local constituiu a Misericórdia de Arouca, seguindo o exemplo de muitas vilas do país, que através deste tipo de irmandade constituíam mecanismos de assistência social e religiosa. Fundada em 1610 (União das Misericórdias Portuguesas, 2003), a confraria iniciou pouco tempo depois a construção de uma igreja própria, situada na praça principal da vila.
O templo, de planta rectangular disposta longitudinalmente, apresenta uma estrutura de pequenas dimensões, que contrasta com a riqueza do programa decorativo interior. É de destacar a unicidade do conjunto, uma vez que a estrutura original seiscentista, que inclui o conjunto azulejar. A campanha barroca executada no final do século XVIII, que contemplou o arco do altar do Senhor dos Passos e a cobertura pintada da nave, integrou-se de forma harmoniosa com a estrutura já existente.
A fachada apresenta ao centro portal de arco pleno, inserido num alfiz com colunelos simples e pináculos. No friso foi inscrito "DEVOTI - FECERE - AN - 1612", indicando a data de edificação do templo. O conjunto é encimado por um óculo, sobre o qual esculpiram o escudo de Portugal. Do lado direito da fachada foi edificada a torre sineira, dividida em quatro registos, com portal de entrada no primeiro e janela de sacada precedida de guarda de ferro no segundo.
O espaço interior do templo é composto por uma única nave, cujas paredes são totalmente revestidas por painéis de azulejos de padrão azuis e amarelos, executados na primeira metade do século XVII. Em 1773 o provedor da irmandade, Doutor José dos Santos Teixeira Teles, mandou pintar o tecto do templo. Composto por 45 caixotões de madeira, este conjunto foi totalmente decorado com pinturas representando temática mariana, os Evangelistas, os Apóstolos e Doutores da Igreja, e temática da vida de Cristo. Do lado do Evangelho foi edificada a Capela do Senhor dos Passos, em talha dourada e policromada, e no espaço fronteiro foram colocados o púlpito, também de madeira policromada, e a tribuna dos mesários.
À semelhança do que sucedia em muitas igrejas de misericórdia edificadas no século XVII, o espaço da capela-mor é diferenciado apenas por um desnível do chão. O retábulo-mor, de modelo maneirista, divide-se em dois registos, o primeiro albergando três tábuas pintadas com temas marianos, a Anunciação , a Visitação e a Creche , e dois nichos com estatuária, o segundo com cinco pinturas, a Virgem com São João , Santo António , São Francisco , e duas com temas da Paixão de Cristo , também em tábua, e um crucifixo (GONÇALVES, 1959). A estrutura é decorada com relevos de motivos de grotesco .
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 1 de Fevereiro de 2006

Igreja da Misericórdia de Penafiel

Com existência conhecida desde o século XVI, e sediada na capela em frente da matriz, a Misericórdia de Penafiel apenas beneficiou de igreja própria na segunda década do século XVII. A sua edificação deve-se à iniciativa do padre Amaro Moreira, cujas doações e legados pios permitiram fortalecer a Irmandade e construir uma nova igreja (no denominado rossio das Chãs), na qual foi sepultado (na capela-mor). As obras tiveram início na década de 1620, estando concluídas, muito possivelmente, em 1631, data que figura numa inscrição patente na capela-mor, que nos informa ainda da dotação de Amaro Moreira. O partido arquitectónico adoptado é, de alguma forma, ambíguo, e ainda que se possa inscrever numa linguagem maneirista, motiva análises como a seguinte: “a igreja da Misericórdia corresponde a uma tipologia de austeridade, fiel à traça sem estilo, (…) que imperou pelo país desde o início da década de 60 do séc. XVI, com a tendência gradual para o predomínio das ordens dórica e toscana. Trata-se de um edifício assumido na sua forma chã, mesclado de elementos eruditos, no qual a gramática clássica se articula segundo uma estética de liberdade”. O seu frontispício, concebido como um retábulo, inscreve-se nas denominadas fachadas-retábulos. É delimitado por pilastras, nos cunhais, que acentuam a sua verticalidade, sendo que a do lado direito separa o alçado da torre sineira, setecentista, que se eleva bem acima da linha da empena, terminando numa cúpula bolbosa, revestida por azulejos. No interior, a nave única e a capela-mor, alta e bastante profunda, são articuladas pelo arco triunfal, flanqueado por pilastras e encimado por frontão triangular. Na capela-mor, o tecto é em caixotões de cantaria, numa composição de linguagem seiscentista, tal como o arcosólio onde se inscreve o túmulo de Amaro Moreira e seus descendentes. O património integrado que hoje podemos observar neste interior é muito posterior, remontando na sua grande maioria ao final do século XVIII e inícios da centúria seguinte, e substituído os originais de época barroca. A linguagem aqui presente é já neoclássica, conhecendo-se os nomes dos entalhadores responsáveis pela execução dos retábulos.

Recuando alguns anos, importa referir uma das obras mais significativas de que o templo foi alvo, pois denuncia não apenas a importância da actualização estética do imóvel, e a adaptação às alterações urbanísticas do espaço envolvente, mas também o respeito pelo património construído e a aposição de um elemento que, no entanto, alteraria por completo a leitura do imóvel. Com o crescimento de Penafiel, a malha urbana envolveu a igreja, reduzindo significativamente o espaço fronteiro à fachada principal. Assim, foi decidido levantar um novo frontispício, virado para a praça, e que corresponderia ao corpo da nave e capela-mor do lado da Epístola. Esta imponente fachada, que seria flanqueada por torres, foi licenciada pela Câmara em 1764, mas as obras interromperam-se em 1769 por manifesta falta de recursos e algumas irregularidades. Dez anos mais tarde os trabalhos deveriam ter sido retomados, mas uma polémica entre a Irmandade e a Câmara devido às licenças necessárias, impediu que tal acontecesse, e o caso apenas foi resolvido em 1780, pelo Desembargo do Paço, a favor da Misericórdia. Todavia, a obra nunca foi concluída, e o que hoje observamos é apenas uma parte da monumental fachada projectada. De linhas e elementos decorativos rocaille, o alçado desenvolve-se em planta contracurvada, que destacam a composição central formada pela porta, nicho e óculo, flanqueada pelos cunhais onde se abrem os nichos. Ao lado, ergue-se a capela da Senhora da Lapa, de linhas menos eruditas, e edificada em substituição da parte da fachada que ficou por levantar. Da mesma época deverá ser, ainda, a capela do Senhor dos Passos, na cabeceira da igreja.

Texto: IPPAR - (RC)